O Egito ptolomaico é um período da história do Egito que decorre entre 305 a.C., (ano em que um antigo general de Alexandre Magno, Ptolomeu I Sóter, se tornou rei do Egito), e 30 a.C quando a rainha Cleópatra VII foi derrotada e o Egito passou a ser integrado no Império Romano como província.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Aproveitando promoções

Absorvendo Aléxandros




Bem, esse é um post meio off e meio on, já que não vou falar sobre um periodo ou personagem historico como foco principal, mas de uma promoção de ocasião, rsrs

Há mais ou menos 1 mes, eu recebi um e-mail de uma loja virtual da qual sou cliente fiel há muitos anos com as promoções de coleções de livros. Fui conferir já que já dei sorte com vários livros que estava "namorando", mas andava enrolando pra comprar por causa (da falta) do bendito 'cash'. E dei de cara com os 3 livros da saga Aléxandros de Valério Massimo Manfredi praticamente de graça!
Ora, quando damos de cara com livros que em média custam em torno de 60 reais separadamente, vendidos juntos por 20 reais, temos mais é que aproveitar, pois essas ofertas raramente batem na nossa porta (ou seria melhor dizer na nossa caixa de e-mail?) duas vezes, não é mesmo?
Pois é, pois é... "Arrematei" os 3 livros que estavam por 153 dindins por módicos 19,90! o.O E valeu cada centavo, pois estou amando capitulo!



Mas parando com a minha crise de ostentação de sorte literaria, rsrs, vamos aos livros:

Li o primeiro volume - Aléxandros: O sonho de Olympias - em 1 semana, e o livro não é fininho não, embora seja mais fino do que os que costumo comprar, tem 310 paginas muito bem escritas de forma não apenas instrutiva, já que nos tras muita informação historica que raramente lemos em livros de historia, mas que prende o leitor do inicio ao fim do livro.

Bem, eu sempre me apaixono por personagens femininas, já que acabo me identificando mais com elas do que com os homens dos livros por motivos óbvios, mas foi dificil não me identificar com Alexandre, Ptolomeu e até mesmo Felipe, que foram retratados de forma mais humana do que estamos acostumados a ver dentro da propria saga desse famoso rei macedonico que conseguiu conquistar magistralmente um dos maiores imperios da historia em apenas 10 anos de campanha militar.
Olympias e Cleopatra também aparecem bastante, e são bem trabalhadas em suas personalidades, medos e desejos de acordo com o papel feminino da mulher da nobreza da época. Adorei ver uma Olympia que não se importava com as outras mulheres de Felipe porque isso era mais do que normal em seu tempo, e que na verdade temia ser posta de lado pra não perder sua influencia na corte já que era uma rainha estrangeira num reino extremamente xenofobico, sabendo que isso não afetaria somente ela, mas também a seus filhos. Aliás, a humanidade de Felipe e Olympias dá um tom mais interessante na historia, já que estamos acostumados a ver um casal que se odeia e que deseja a morte do outro acima de tudo.

Neste romance, dividido em 2 capitulos, Ptolomeu não é posto como irmão bastardo de Alexandre, mas sim um de seus melhores amigos, aliás, um dos mais instruidos, se não for o mais. Na verdade, o autor se preocupa pouco com as mulheres e filhos secundarios de Felipe, apenas cita Arrhidaios, o meio- irmão deficiente mental de Alexandre que viria a sucede-lo futuramente. Aliás, gostaria muito de saber como o autor resolveria esse impasse, caso resolva citar a sucessão de Alexandre no final do terceiro livro, já que Arrhidaios acaba se casando com Adea Euridice, filha de Cinane, que também era meia-irmã de Alexandre e Arrhidaios... Mas acho que a trilogia deva encerrar na morte de Alexandre mesmo, sendo totalmente dispensavel a presença dos outros filhos de Felipe.

Bem, eu ainda estou na metade do segundo livro - Alexandros: As areias de Amom - mas ja me deliciando ao conhecer melhor artistas como Lisipo e Apeles, que ajudaram a eternizar a imagem de Alexandre, além de outras obras que fazem parte das mais importantes da história da arte! Aliás, Lisipo, Apeles e a musa Kampkaspe merecem um post a parte. E estou ansiosa para ver como Thais de Atenas será introduzida, já que ela entrou para a história como a mulher que deu a idéia de incendiar Persepolis durante as bebedeiras do banquete macedônio após a conquista da cidade.

Outro aspecto interessante da trilogia é o fato de se fiar no já tão batido e polemico clichê da suposta homossexualidade de Alexandre e de seu affair com Hefestion, que convenhamos, se torna totalmente desnecessario diante da magnifica saga desse jovem rei. Achei uma excelente escolha do autor não levar a história pra esse lado como a grande maioria dos autores costumam fazer. E eu não sou homofobica, muito pelo contrario, tenho diversos amigos e amigas gays e sou a favor do casamento homossexual e totalmente contra ao preconceito que sofrem, mas sou obrigada a admitir que o Alexandre de Oliver Stone se tornou tão apelativo ao dar uma exagerada importancia ao homossexualismo que chegou a ofuscar a lenda do rei no filme. Acho que foi por isso que acabei simpatizando tanto com a versão de Manfredi, apesar de ter gostado bastante do filme de Stone.



Anywayz, quando finalizar o ultimo livro - Aléxandros: Os Confins do Mundo - pretendo vir registrar minhas impressões na minha pseudo critica historica literaria, já que Ptolomeu já está registrando a dele durante a campanha contra Dario!

;)



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Nova versão de Cleopatra para o cinema!

Cleopatra de volta às telonas

A mais famosa rainha de todos os tempos está pra ganhar uma nova versão cinematografica, e desta vez será interpretada pela bombshell Angelina Jolie!


Sua história é tão famosa e fascinante que já teve inumeras versões no cinema, sempre estrelada por simbolos sexuais do momento como Claudette Colbert, Vivien Leigh, Theda Bara, Sofia Loren, e, claro, Elizabeth Taylor. E na versão "seculo XXI" da rainha egípcia, vários nomes foram especulados, entre eles Katherine Zeta Jones, mas quem acabou ganhando o papel foi mesmo Angelina Jolie!


O produtor Scott Rudin adquiriu os direitos de adaptação da biografia "Cleopatra: A Life", de Stacy Schiff, e de acordo com a descrição do livro, a história mostra a ascensão da rainha, a luta pelo poder com seu irmão mais novo, seu romance com Júlio César, seu caso com Marco Antônio e seu desaparecimento, que até hoje não foi esclarecido. Stacy Schiff realiza uma proeza que escapou de muitos artistas e escritores há séculos: captar plenamente a vida de uma mulher extremamente sedutora e poderosa, cuja morte deu início a uma nova ordem mundial.
Segundo o produtor, "Angelina Jolie irradia graça e poder, exatamente as qualidades que Stacy Schiff busca."

Bem, basta lembrar de Angelina como a maravilhosa Olympias de Epirus em Alexandre de Oliver Stone pra termos uma ideia do que esperar de sua versão ptolomaica!



O filme está previsto pra 2011, quando Cleopatra completaria 2050 anos de idade!

;)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os filhos de Ptolomeu Soter


A juventude de Ptolomeu Soter através de um livro sobre Alexandre

Eu estou lendo um livro que conta a vida romanceada de Alexandre o Grande chamado "O Fogo do Céu", da autora Mary Renauty, que é excelente por sinal e recomendo a todos.
Este livro é parte de uma trilogia, que se completa com O Garoto Persa e Jogos Funerários, e neste primeiro capitulo da trilogia, narra a infancia e adolescencia de Alexandre, sua convivencia com seus emblematicos pais e a amizade e lealdade construida com seus futuros generais.

É impossivel falar de Alexandre sem falar de Olimpia, de Felipe, de Hefestion, de Antipatros e Cassandro e, é claro, de Ptolomeu! E como meu assunto favorito é a dinastia Ptolomaica, é impossivel não me interessar pelas nuances das descrições de Ptolomeu I Soter, o salvador, em qualquer livro que eu leia.

Neste romance, Ptolomeu aparece como o irmão bastardo de Alexandre, cerca de 10 anos mais velho que o jovem principe. O jovem foi criado por Lagos, um nobre casado com uma das antigas amantes de Felipe, Arsinoe, mãe de Ptolomeu. Desde cedo, ele já demonstra que sempre sentiu uma certa hostilidade vinda do pai postiço, mas que o assunto não era falado por ser uma grande desonra, tanto para Lagos, quanto para Arsinoe. E que se alguem falasse sobre o assunto, Ptolomeu teria que lutar, e possivelmente matar, para que sua honra, e a de seus pais, fosse restaurada.
Ptolomeu é um dos amigos mais proximos e fieis de Alexandre apesar da diferença de idade. Mas o que mais me intrigou, não foi o fato de colocarem esse jovem soldado como um dos poucos gregos que se interessavam apenas por mulheres e não por homens, mas sim de colocar em certo ponto da historia que Ptolomeu acabara de tomar uma nova esposa e que esperava mais um filho.

Ora, é algo tão óbvio que Ptolomeu deva ter tido outras esposas ou amantes, e com isso filhos bastardos ou desconhecidos, antes de seu primeiro casamento registrado pela historia que foi após seus 40 anos, já nos ultimos anos da vida de Alexandre, na Babilonia. Mas o porque de eu nunca ter pensado mais a fundo sobre isso é que eu não sei, rs... Afinal, como eu acabei de dizer acima, é bastante óbvio que isso tenha acontecido, como é bastante provavel que sua(s) primeira(s) esposa(s) tenha(m) falecido jovem(s) ou mesmo deixada(s) pra trás durante os 10 longos anos das campanhas militares que Ptolomeu participou ao lado de Alexandre.

Mulheres e Esposas de Ptolomeu

O que sabemos sobre os filhos de Ptolomeu é que ele tomou como concubina Thaïs de Atenas, uma das mais famosas heteras que seguiam as tropas de Alexandre. Thaïs era uma das amantes de Alexandre, mas foi dada a Ptolomeu durante as campanhas na Persia, e com Ptolomeu, ela teve 3 filhos: Lagos, Leontiskos e Eirene. Os dois devem ter se casado em Susa, após o nascimento dos filhos que provavelmente nasceram durante as campanhas. Ptolomeu também se casou com a princesa persa Artakama, mas não chegou a ter filhos com ela. Assim que Alexandre morreu, Ptolomeu foi para o Egito e Artakama ficou na Persia.

Existem teorias de que Ptolomeu tenha se casado com uma princesa egípcia que teria sido chamada de Ptolomais pelos gregos, e que essa princesa seria uma descendente do ultimo rei nativo do Egito, Nektabeno II. Mas não se tem certeza sobre esse casamento, nem sobre a real existencia dessa princesa.

Após se tornar sátrapa do Egito, Ptolomeu realizou seu primeiro casamento diplomatico (o primeiro de muitos que viria a realizar através de suas filhas) ao desposar Euridice, a jovem filha de Antipatros, o regente de Alexandre, que era o homem mais poderoso do Império Macedônico naquele momento. Com Euridice, Ptolomeu teve diversos filhos, entre eles Ptolomeu Keraunos, Meleagros, Lysandra e Ptolomais.
Também são atribuidos à Euridice, Argaios e Theoxena, e mais um filho de nome desconhecido que deve ter morrido ainda na infancia. Mas também é possivel que Argaios e Theoxena fossem filhos de uma outra mulher. Eu acredito que Argaios fosse filho de alguma concubina, nascido antes da chegada de Ptolomeu ao Egito, e que Theoxena fosse filha da quarta esposa de Ptolomeu, Berenice I, o que também é bem provavel. Existem algumas teorias que colocam Theoxena como filha de Berenice com seu primeiro marido, em outras como filha de Ptolomeu, portanto é bastante possivel que Theoxena fosse uma filha que tivesse nascido antes do casamento de Ptolomeu com Berenice.

Mas voltando às duas ultimas e mais famosas esposas de Ptô... Bem, junto com Euridice, chegou ao Egito uma jovem viúva com seus 2 filhos pequenos, era uma prima de Euridice, sobrinha de Antipatros, e viuva de um dos generais de Alexandre chamado Felipe. Essa jovem viuva era Berenice!
Berenice provavelmente acabou sendo tomada como concubina de Ptolomeu num periodo proximo do seu casamento com Euridice, e assumida como esposa secundaria antes de dar à luz à Arsinoe, mas com a morte de Antipatros, acabou passando de esposa secundaria pra esposa principal. O fato é que Berenice deu pelo menos 3 filhos pra Ptolomeu após seu casamento: Arsinoe II Philadelpha, Ptolomeu II Philadephos e Philotera. Os filhos do primeiro casamento de Berenice, Magas e Antigone, foram "adotados" por Ptolomeu, e passaram a ser principes da casa real dos lágidas. E foi o filho caçula de Berenice quem assumiu o cargo de co-regente e herdeiro do trono de Ptolomeu, o que nos dá a certeza da influencia de Berenice com o marido que colocou os filhos mais velhos do casamento com Euridice de lado, preferindo o único filho que teve com Berenice como seu herdeiro de direito.
Berenice também viria a se tornar a primeira rainha da dinastia ao lado de Ptolomeu, e assumiria os titulos e os compromisso das antigas rainhas egipcias, restaurando a cultura faraônica.

Todos esses filhos só são conhecidos após Ptolomeu ter consquistado seu papel na historia como sendo um dos principais homens de Alexandre, sátrapa do Egito e Faraó. Sua vida antes das batalhas é desconhecida e pouco sabemos além dos nomes de seus pais até assumir seu cargo como guarda-costas do principe herdeiro macedônico, Alexandre. E é bastante obvio que um homem que teve pelo menos 4 esposas e 13 filhos conhecidos após os 40 anos de idade, tenha tido outras esposas e filhos antes de disso.

Agradeço à Mary Renaulty por ter trazido essa "luz" para meus conhecimentos ptolomaicos. Só fico triste de nunca poder confirmar essas teorias, já que não existem registros historicos que falem sobre a juventude de Ptolomeu I Soter... Ptolomeu se preocupou mais em escrever a historia de Alexandre, sem a qual não saberiamos tudo que está registrado sobre este magnifico homem, e se esqueceu de falar de sua propria vida. Mas já fico bastante contente com a teoria!

=D

segunda-feira, 8 de março de 2010

As Ptolomaicas - Parte 1

Como março é o mês em que se comemora o dia internacional da mulher, aproveitarei a deixa para falar das mulheres ptolomaicas, que realmente merecem seu lugar ao sol por terem sido mulheres de grande valor historico. Até porque, o nome Ptolemaios (ou vulgarmente conhecido como Ptolomeu) significa guerreiro, e as mulheres dessa dinastia fizeram juz ao nome!

A mais famosa de todas, claro, foi Cleopatra VII, ou Cleopatra a Grande. Mas ela foi uma das ultimas ptolomaicas, e suas predecessoras, apesar de não terem sido tão famosas, não foram menos ilustres. Comecemos então com as rainhas:

As Ptolomaicas




Berenice I Sotera

Quarta (ou quinta) e ultima esposa de Ptolomeu I Soter, mas a primeira rainha ptolomaica. Deusa.


Berenice, prima e dama de companhia de Eurydice, a esposa anterior de Ptolomeu (que deveria ter sido sua rainha), acabou sendo elevada à esposa principal anos antes dele resolver finalmente assumir a coroa do Egito. Ptolomeu foi o ultimo dos sucessores de Alexandre a se tornar rei, preferiu continuar sendo satrapa até ver que não fazia mais sentido não ser rei no titulo, já que já era de fato há pelo menos 20 anos.
Berenice, pertencia ao clã dos Antipatras, uma das mais proeminentes familias macedonicas, e era sobrinha de Antipatros, pai de Eurydice, e o governante da Macedonia após a morte de Alexandre o Grande. Ela já havia sido casada antes com um militar chamado Philip, e acredita-se que tenha acompanhado este primeiro marido durante as campanhas, adquirindo assim, grande conhecimento militar, um dos fatores que lhe fariam ter grande destaque como esposa principal do faraó do Egito.
Com excessão de sua filha caçula, Philotera, todos os filhos de Berenice foram reis e rainhas: Magas, seu filho mais velho do primeiro casamento, se tornou rei da Cireinaica. Antigone, sua filha também do primeiro casamento, se tornou rainha de Epirus ao se casar com Pyhrrus. Dos filhos que teve com Ptolomeu Soter, Arsinoe, se tornaria 3 vezes rainha, sendo a segunda mais importante rainha ptolomaica da historia, e Ptolomeu Philadelphos, seria o sucessor do pai, que deixaria todos os filhos da esposa anterior, Eurydice, de lado em prol dos filhos de Berenice I. Até mesmo Theoxena, que suspeita-se que tenha sido sua filha, se tornou rainha e esposa do rei Agathocles de Syracusa.
Como rainha, Berenice assumiu os trajes nativos de rainha, assim como suas funções, dando inicio à mistura cultural que permaneceria por 3 seculos dentro da soberania macedonica no Egito.
Após sua morte e a morte de Ptolomeu I Soter, o casal foi divinisado, e em sua honra, a cada 5 anos era realizada a Ptolomaieia (daonde se origina o nome deste humilde blog), a Grande Pompa, com jogos olimpicos, banquetes e desfiles por toda a Alexandria durante varios dias de festa em honra aos deuses Ptolomeu e Berenice.



Arsinoe II Philadelpha
Filha de Ptolomeu I Soter e de Berenice I. 3 vezes rainha. Faraó Mulher. Deusa.


Arsinoe II se casou aos 16 anos com o velho Lysimachus da Tracia, foi sua terceira (ou quarta) e ultima esposa, mas também a mais influente. Aos 20 anos já era proprietaria de importantes cidades da Tracia e uma das mulheres mais ricas de sua época. Como rainha, governou sozinha durante o periodo em que Lysimachus e seu filho e herdeiro Agathocles ficaram como reféns de guerra, tomando a frente de todas as negociações, ao mesmo tempo em que cuidava de negocios do estado.
Arsinoe teve 3 filhos com Lysimachus (Ptolomeu, Lysimachus e Philip), mas como seus filhos estavam muito atrás na linha de sucessão ao trono, ela instigou (ou denunciou) a suposta traição do filho mais velho e herdeiro do trono, que além de seu enteado, era também seu cunhado (Agathocles da Tracia era casado com sua meia irmã Lysandra). O herdeiro foi assassinado, e seus irmãos fugiram para a corte de Seleucos na Babilonia acompanhados da viuva Lysandra e dos filhos ainda crianças de Agathocles. Os filhos de Arsinoe se tornaram os primeiros da linha de sucessão, mas Lysimachus morreu pouco tempo depois em batalha contra Seleucos, que também viria a morrer pelas mãos de outro meio-irmão de Arsinoe, Ptolomeu Keraunos.
Com a morte de Lysimachus, Arsinoe deixou a capital Lysimacheia e fugiu para Kassandreia, aonde reinou por pelo menos mais 2 anos como rainha da Tracia e da Macedonia, enquanto Keraunos a sitiava, tentando tomar a coroa à força.
Após muitas negociações, Arsinoe e Keraunos resolveram se casar para selar a paz, mas na noite da festa de casamento, Keraunos promoveu o Massacre de Kassandreia, matando os dois filhos mais novos de Arsinoe, além do povo da cidade que se manteve fiel à ela sem se render à ele. Arsinoe e seu filho Ptolomeu conseguiram fugir. Arsinoe se exilou na Samotracia por 1 ano, até resolver voltar para o Egito, aonde afastaria sua enteada-cunhada homonima e tomaria a coroa de rainha do Egito para si, se casando com seu irmão caçula Ptolomeu II Philadelphos.
Arsinoe era uma rainha guerreira e inteligentissima, manteve o Egito forte, contribuindo energicamente com o crescimento politico, militar e filosofico, estreitando laços com o povo nativo, além de ter sido a principal responsavel pelas vitorias da segunda guerra siria durante os 9 anos em que foi rainha do Egito.
Arsinoe era considerada a verdadeira faraó pelos egípcios nativos, que lhe concederam os 5 nomes que só um faraó pode ostentar.
Após a sua morte, foi deidificada e adorada por todo o Egito, tendo estatuas suas em todos os templos, sendo procurada por peregrinos em busca de uma cura para problemas estomacais.

Berenice II Thea Euergetes
Filha de Magas de Cirene e Apama (princesa seleucida e única esposa de Magas). A primeira seleucida-ptolomaica da dinastia. Faraó Mulher. Deusa.



Neta de Berenice I, e única filha de Magas de Cirene, Berenice herdou o reino ainda menina. Magas já havia assegurado seu casamento com Ptolomeu III Euergetes desde que ela ainda era bebê, mas com a morte do pai, sua mãe Apama resouveu dá-la em casamento para Demetrios Kalós, da dinastia dos Antigonas, que também era ptolomaico por parte de mãe, a princesa Ptolomais, ultima rainha e esposa de Demetrios Poliorketes.
Bem, Berenice era ainda adolescente quando o casamento com Demetrios Kalos foi realizado, e acredita-se que tivesse em torno de 13 anos, de modo que o casamento não seria consumado até que ela tivesse idade suficiente para isso. Mas a jovem rainha adolescente flagrou o marido com a propria mãe na cama com menos de 2 meses de casamento, e Demetrios Kalos foi condenado à morte, e o noivado com Ptolomeu III Euergetes reestabelecido. 2 ou 3 anos depois, Berenice unia o reino da Cirenaica (ou Cirene) ao Egito, duplicando o tamanho do territorio em que ela e Euergetes reinariam.
Durante os primeiros 5 anos de casamento-reinado, Berenice reinou sozinha, já que Euergetes estava travando a terceira guerra siria para vingar a morte de sua irmã Berenice Phernophouros Syra, assassinada pela facção à favor da rainha repudiada em prol desta Berenice, Laodice I. Berenice Syra era esposa de Antiochus III Theos, rei dos seleucidas, e tio de Berenice II Euergetes.
Foi nas vesperas da partida de Euergetes para a guerra que Berenice II cortou seus cabelos e dedicou à Afrodite, pedindo pela vitoria e por um retorno seguro ao marido, mas os cabelos desapareceram misteriosamente, e na noite seguinte, uma nova constelação surgiu nos ceus de Alexandria: COMA BERENICES (leia mais aqui).
Com o retorno do marido, ela e Euergetes mantiveram um reinado sólido e próspero que durou 20 anos. Tiveram 4 filhos e 2 filhas, dos quais, Ptolomeu IV Philopator e Arsinoe III Philopator seriam seus sucessores.
Berenice foi uma rainha energica, e pode ser vista representada como faraó do Egito, usando os trajes masculinos do soberano das Duas Terras em diversos templos da época de seu reinado. A grande maioria deles mostra Berenice conduzindo bigas e esmagando inimigos, algo totalmente inusitado, visto somente durante o periodo amarniano com a rainha Nefertiti (que durante o periodo ptolomaico estava totalmente perdida e apagada da historia).
Após a morte de Euergetes, Ptolomeu IV Philopator e seus conselheiros Sosibios e Agathocles de Samos assassinaram Berenice II, assim como seus filhos Magas, Alexander e outro principe de nome desconhecido, além de seu cunhado Lysimachus, irmão de Euergetes. Philopator se casaria então com a princesa Arsinoe, a única irmã sobrevivente, que seria sua rainha e mãe de seu único herdeiro Ptolomeu V Epiphanes.
Assim como Arsinoe II Philadelpha, Berenice II também recebeu os 5 nomes de faraó, e era tida como a faraó mulher pelos egípcios nativos.
Berenice II Euergetes foi a primeira rainha ptolomaica a ser divinizada ainda em vida.

Em breve, mais rainhas ptolomaicas, governantes do Egito ou não!

Cleopatra VII, a filha de Isis

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Gamelion e os Festivais de Fertilidade


Gamelion: O mês dos casamentos!


Salvem, amigos e amantes! Estamos em GAMELION, o mês atribuido ao casamento de Zeus e Hera, e por isso, o mais auspicioso para a união de jovens amantes que pretendiam ter prosperidade e sucesso juntos, além de um monte de filhos, claro!




Gamelion é o periodo que vai da segunda metade de janeiro até o final da primeira metade de fevereiro, e durante esse periodo, era muito comum a realização de casamentos e festivais de fertilidade. Mas você deve estar se perguntando, porque falar de Gamelion e festivais de amor e fertilidade justo agora? Ora, estamos proximo do dia dos namorados do hemisferio norte, o Valentine's Day, assim como do Carnaval, a festa da carne! E adivinhe só aonde tudo isso se originou?

Bem, festivais de fertilidade eram muito comuns na antiguidade. No Egito temos os festivais de Hathor e Bast. Na Grecia temos a Dionisia, que são os festivais em honra à Dionisio que dariam origem aos famosos Bacanais romanos. Em Roma temos a Saturnalia e a Lupercalia... E vou falar um pouquinho deles nos proximos dias.


Começando com o Valentine's Day, atualmente uma festa cristã, já que é dia de "São Valentino", teve origem nas festas pagãs, principalmente na Lupercalia, que acontecia entre os dias 13 e 15 de fevereiro, bem, pra quem não sabe, o Valentine's Day acontece no dia 14 de fevereiro!

Bem, o Valentine's Day você deve encontrar milhares de sites e blogs na internet falando de suas origens, sobre quem foi São Valentino e patati-patatá, portanto, vamos às origens pagãs:



Lupercalia




A Lupercalia ou Juno Februata (ou febre de Juno) era um festival de fertilidade romano (possivelmente de origem sabina, e não grega, embora haja varias teorias que indicam uma origem grega também, como a da Anthesteria, um festival em honra a Dionisio que marcava o inicio da primavera). Enfim, durante a Lupercalia, um sacerdote de Lupercus (deus dos instintos primitivos e sensuais), ou o Flamen Dialis, passava pelas ruas de Roma guiando uma biga, munido de februas (chicotes sagrados) para chicotear as mulheres que queriam/precisavam ser ferteis. Eram as libações sagradas que ajudariam às mulheres a engravidar e ter um casamento próspero.





Uma curiosidade é que o mês de fevereiro ganhou esse nome justamente por causa desta festa, já que a palavra februa daria origem à palavra februare, que viraria february, ou o nosso fevereiro.

*Curiosidade mais ou menos Ptolomaica: Marco Antonio fez o papel de Sacerdote de Lupercus em uma tentativa teatral de transformar Cesar no Rei de Roma de fato, já que ele já era didator vitalicio. Bem, esse foi o famoso momento aonde Cesar rejeitou a coroa em prol da Republica! Agora, você deve estar pensando o que um fato da historia romana teria a ver com os ptolomeus, não é? Ora, Cleopatra estava em Roma nessa época, era amante de Cesar e mais um dos muitos motivos que faziam com que a intenção de comandar Roma de Cesar não passasse de algo totalmente republicano sem pretenções à monarquia. Tudo conectado!




Os festivais de Dionisio, ou Dionysia, acabaram originando outros festivais bastante conhecidos atualmente, como os bacanais, já que o nome romano de Dionisio não seria outro senão Baco, o deus do vinho e da alegria! Mas deixemos eles pra outro post, afinal, ainda temos o carnaval pra ser falado!

*Curiosidade Ptolomaica: A Dionysia foi muito festejada no Egito Ptolomaico, já que os Ptolomeus, assim como as casas reais macedônicas eram seguidores de Dionisio.


by mara sop

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Templo de Bast da Rainha Berenice


A Rainha Berenice e a Deusa Gata


Há algumas semanas atrás, foi noticiada a descoberta de um templo dedicado à deusa gata Bast em Kom el Dikka, nos arredores de Alexandria.

O templo foi erigido durante o reinado de Ptolomeu III Euergetes, em honra de sua esposa adorada Berenice II.

Nos artefatos encontrados no templo além da estátua de Bast, temos uma linda estatua de uma criança com o nome de Bast inscrito nela. O mais bonito é ver que as cores da estatua ainda estão visiveis!



Mas quem foi a rainha Berenice II?

Berenice, ou Berenike, foi a 4ª rainha e esposa do 3º rei da dinastia ptolomaica. Era filha de Magas de Cirene (à oeste de Alexandria no norte da Africa), filho do primeiro casamento de Berenice I (ultima e principal esposa de Ptolomeu I Soter). Como integrante da familia real ptolomaica, ele ganhou o governo de Cirene (ou Cirenaica), aonde acabou se tornando rei.
Magas acabou se casando com Apama, filha do rei Antioco da Siria, aparentemente sua única esposa e mãe de sua única filha: Berenice!

Berenice acabou se casando com dois de seus primos, primeiro com Demetrios Kalos (ou Demetrios o Belo - filho de sua tia Ptolomais com o rei Demetrios Poliorketes) e depois com Ptolomeu III Euergete (que quer dizer "benfeitor", e era filho de Ptolomeu II Philopator e sua primeira esposa Arsinoe I da Trácia).

O primeiro casamento dela acabou rapido, menos de 50 dias, já que Demetrios foi pego na cama em fragrante com a rainha mãe Apama, o que o condenou à morte. Na ocasião, Berenice ainda era muito jovem e o casamento não tinha sido consumado. Dois ou tres anos depois, Berenice viria a se casar com seu outro primo Ptolomeu Euergetes, e viraria uma das mais lembradas - pelos alexandrinos, claro! - rainhas do Egito.



Berenice II foi uma grande rainha, ficando governando o Egito sozinha durante os anos em que o marido lutava a 3ª Guerra Síria, e acabou por virar lenda ao dedicar seu belo cabelo ao templo de Afrodite, para que seu marido tivesse um retorno tranquilo e vitorioso da batalha. Misteriosamente, sua oferenda desapareceu durante a mesma noite, e os sacerdotes justificaram tal ato ao fato de esta ter sido aceita pelos deuses e levada para o céu, na mesma noite, uma nova constelação surgiu no céu de Alexandria, e milagrosamente, parecia com a bela cabeleira da rainha, esta constelação foi batizada de "Coma Berenice", ou seja, "Cabelos de Berenice". Esse incidente seria celebrado e imortalizado no poema omônimo de Callimachus.



Como podemos ver, Berenice foi muito homenageada não apenas por seu marido, que lhe erigiu o templo de Bast em Kom el Dikka, ou pelos alexandrinos que nomearam uma constelação em sua honra. Mas a cidade de Benghazi (ou Bengasi) na Líbia, que pertencia ao distrito de Cirene, e foi renomeada em sua honra como presente de casamento, ou seja, a cidade passou a se chamar Berenice!

Berenice e Ptolomeu foram pais dos futuros reis Ptolomeu IV Philopator e Arsinoe III, além dos principes Magas, Alexandre e de mais um principe de nome desconhecido (possivelmente chamado Lysimachus segundo alguns estudiosos), além da princesa caçula, também chamada Berenice. Tragicamente, Berenice foi assassinada pelo proprio filho, Ptolomeu IV, em 221 a.C, aos 45 anos de idade. Aparentemente, o filho não queria associa-la ao trono, e "se livrou dela" com o auxilio de seus conselheiros assim que virou faraó. Um costume bastante comum nessa dinastia, assim como nas outras dinastias helenicas da época.

Cleopatra VII, a filha de Isis

domingo, 31 de janeiro de 2010

Skoob - Minha Biblioteca de Alexandria


Skoob - Minha Biblioteca de Alexandria


O sonho de todo leitor compulsivo é ter a sua propria biblioteca em casa, bem, foi através do skoob, um site de relacionamentos literario (uma especie de orkut para amantes de livros), que consegui descobrir que estou no caminho certo, tendo mais de 70 livros e lido quase todos, fora os que peguei emprestados de bibliotecas e amigos, rsrs...

livros que estou lendo agora: todos ptolomaicos

Bem, é lá que tenho postado minhas impressões através do "status de leitura" dos livros que estou lendo no momento (sim, livros, pq eu leio mais de um ao mesmo tempo, rsrs). Fora a oportunidade de trocar figurinhas com outros livros maniacos... Estou realmente amando o site! E se você também tem perfil no skoob, me procure por lá pra sermos amigos e trocarmos nossas figurinhas literarias também!

e como uma verdadeira "cleopatromaniaca", é claro que minha foto está um tanto quanto ptolomaica, rsrs